sexta-feira, 5 de julho de 2013

Relato do Parto - Parte I de II

Finalmente consegui vir até aqui para contar como foi o parto! Só adianto que ser mãe de 2 é meio puxado, viu!?

Bom vamos aos fatos:

Na quinta-feira, trabalhei até a hora do almoço e fui para a casa. Eu e marido agilizamos uma faxina, lavei algumas roupas, finalizamos nossas malas, pegamos o Dudu na escola, fomos para a casa, lanchamos, demos banho nele e o levamos para a casa da minha cunhada. Saímos para jantar e comemos uma pizza.
Confesso que dormir foi uma tarefa difícil... Demorei a pegar no sono e a noite não foi nada tranquila. Acordei várias vezes e acabei acordando bem antes do celular despertar. Havia chegado o grande dia, e a Milena estava toda sossegada!
Fomos para o hospital e eu estava muito nervosa, muito estressada, com muito medo. Medo de não dar certo a indução e acabar virando uma cesárea, de ser mais sofrido ou demorado que o parto do Dudu, de acontecer algo que eu nem imaginava... muitos medos, muita insegurança.

Chegamos no hospital, dei a entrada no internamento as 8:00h, descarregamos o carro, e deixamos as coisas no quarto.
Fomos para uma sala de espera, aguardar que me chamassem. Pedi para o Marido tirar uma foto minha para lembrar do barrigão!

No momento da foto, fui chamada (fiquei sem foto...). A enfermeira pediu a carteirinha do pré natal, que claro, eu havia deixado na bolsa, que estava no quarto. Entrei e o Marido foi busca-la.
Entrei na sala de exame (a mesma que visitei semanas antes), a enfermeira me deu a camisola fantástica que nos deixa meio vestida, meio nua (horrível), e fui me trocar. Na hora me bateu um pânico e comecei a chorar... Me troquei e nada do Marido aparecer. Depois de já trocada (porque dizer vestida já é piada), esperei longos minutos, onde chorei, rezei, andei, acariciei a barriga, enfim, demorou mesmo, aí a enfermeira apareceu. Me fez algumas perguntas, e eu perguntei do Marido. Ela disse que ele viria logo.

Marido chegou, tirou uma foto a meu pedido (no parto do Dudu não tive nenhuma foto de despedida do barrigão), e me levaram para a sala do pré-parto. Marido não foi junto, e isso me deu mais aflição.

Cara de "empolgadissima"... hahaha
 As 10:00h fizeram o toque, e eu estava com 6 de dilatação, colo fino mas bebê alto.
Colocaram o soro com ocitocina, e imediatamente começaram as contrações. Indolores e mais ou menos ritmadas. As vezes ficava de 15 em 15 minutos, diminuía, aumentava, paravam. Isso me dava nos nervos.

Eu estava em jejum, e estava morta de fome. Me trouxeram um Gatorade, o que me aliviou um pouco a fome/sede. Mas eu poderia beber somente um golinho a cada 15 minutos. E olha, estava me dando uma tremenda dor de cabeça.
Depois de muito tempo e muito perguntar pelo Marido, me disseram que naquele dia, muitas cesáreas estavam agendadas, e seria constrangedor para as demais pacientes ele ficar comigo pois elas estariam semi nuas (com a camisola fantástica)... Gente, eu estava num quarto, com porta, e as demais, idem. Mas ok, fiz que entendi, mas mesmo assim pedi com cara de Gato de Botas que eu fazia muita questão de tê-lo comigo, e se fosse possível eu agradeceria muito. Depois de um bom tempo Marido entrou, e eu fiquei mais aliviada.



Eu deitava, sentava, andava e nada de pegar ritmo. Nada de dor. Fiz xixi umas 200x.
Cada vez que vinha a enfermeira ela perguntava como estavam “as dores”, e eu dava risada, dizendo que estava tudo bem. As Fizeram o toque as 11h e eu estava com 7. Fiquei mega feliz, pelo menos estava progredindo, mas fiquei ansiosa pelo próximo toque, para estimar quanto tempo demoraria (olha pelo que a pessoa fica ansiosa.... parto é algo estranho, mesmo!)

A essas alturas, as contrações ficaram mais desconfortáveis e fortes, mas nada dolorido. Eram como Braxton Hicks mais fortes, nada mais que isso. Notei que ficando sentada elas ficavam mais ritmadas. Chegaram até a ser de 3 em 3 minutos, mas mesmo a essas alturas elas, em alguns momentos (na hora de ir ao banheiro, por exemplo), elas cessavam e perdiam o ritmo.

Lá pelas 12:30h / 13:00h, minha medica chegou, pois tinha uma cesárea, me examinou e viu que eu estava com 7 para 8 de dilatação, mas a bebê ainda estava alta. Falou que na volta da cesárea iria estourar a bolsa para ver se finalizava o trabalho de parto. Entrei em pânico novamente! Lembro de depois que a bolsa do Dudu rompeu o bicho pegou e aí sim comecei a sentir dor. E que dor!!!

Ela retornou, lá por 13:30h fez mais um toque (tenso!!!) e estava com 8.
Perto das 14:00h, estouraram a bolsa. Marido estava na sala quando ela chegou e ele perguntou se deveria sair. A Médica achou melhor que saísse, e avisou que ele saindo, só retornaria na hora do parto. Achamos por bem ele sair. E hoje, analisando foi melhor mesmo... rsrs
Ela veio, estourou (cara, isso doi pacas.... além do ato em si não ser nada agradável................. posso pular essa parte? OK, Pulo!)

Depois de feito, fiquei aguardando a dor. Nada! 

.:.

Aiai, ficou longo, né?
Vou judiar e depois volto contando como foi...

Beijinhos pra quem ficou morrendo de curiosidade,
Fer

quinta-feira, 6 de junho de 2013

É amanhã!

Nervosismo, ansiedade, alivio, curiosidade, emoção!
Tanta coisa junta... tantas emoções. Em pensar que em 24 horas poderei estar com a minha mocinha no colo, conhecendo-a, cheirando-a, tocando-a!

Olho para minha barriga e juro que já sinto saudades. Nunca achei que diria isso um dia. Não gostava de estar gravida na primeira gravidez, já nessa, me sinto plena, linda e feliz.
É triste pensar que esse é meu ultimo dia gravida, pois não está em meus planos engravidar novamente... então, é meu ultimo dia! Vontade de parar no tempo, curtir cada segundinho.

Sei que aproveitei muito esses meses todos. Reclamei muito pouco e a cada mexida dela eu me sentia mais plena e feliz. Gravidez é uma benção, e me sinto a pessoa mais estupida do mundo olhando para traz e vendo que poderia ter aproveitado muito mais a gravidez do Dudu.
Me preocupava tanto com as mudanças no corpo, em se eu seria uma boa mãe, em como seria a vida depois da chegada de uma criança, que quando dei por mim, estava louca para engravidar novamente e poder curtir de verdade uma gravidez.

Pensando nisso, quero curtir horrores os momentos da amamentação, que antes eu achava chato e trabalhoso, haja vista que eu tinha muito leite e me sentia uma mamadeira ambulante e que cheirava a leite mesmo após o banho... hehe Agora quero ver o lado bom e lindo disso tudo.
Pegar muito no colo e curtir cada segundinho a minha licença com meus pequenos, sem se preocupar se tem louça na pia ou se ainda não varri o chão.

Tudo passa tão rápido e depois bate uma saudade insana...
Não quero me arrepender de não ter feito. E pelo menos a gravidez sei que curti demais... me amei demais e me despeço desse barrigão orgulhosa e feliz por Deus ter me dado mais uma oportunidade de carregar em mim uma vida.

É amanhã, Milena... mas se quiser, hoje ainda dá tempo!!!!

(...)

Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

(...)


Beijinhos contando os segundos,

terça-feira, 4 de junho de 2013

38 Semanas e uma Difícil Decisão

É engraçado como achamos que somos os donos da verdade. Como acreditamos que existam formulas e receitas de bolo para tudo. Subestimamos mesmo, tudo, até a natureza.
Dudu nasceu de 37 semanas, já disse isso infinitas vezes. Na minha cabecinha, Milena não passaria disso. Principalmente depois do susto às 34 semanas. Achei pouco provável que passasse das 36. E eis que chego as 38 semanas, o que pra mim é algo inédito.

No entanto, Marido faz cirurgia semana que vem. E como é que faz?

Pensei na possibilidade da indução... Mas não algo pensado e amadurecido. Peguei o telefone, liguei para ele pouco antes da consulta e comentei meu insight... ele concordou.

Explico: Não terá ninguém que possa ficar conosco no período de recuperação - meu e dele. Meu pai recém quebrou o fêmur, minha mãe está 24h por dia cuidando dele, E, mora há 40km da minha casa. Minha sogra, recém operou a coluna.... sem comentários. O resto do povo disponível trabalha... ou seja, só restamos nós. Marido não sabe mais o que é não sentir dor. Não dorme, mal consegue andar, cada vez a mobilidade dele está menor e a possibilidade dele postergar essa cirurgia é meio desumano, sem contar que está de atestado do trabalho há duas semanas, e ficará mais uns 4 meses em casa pós-cirurgia...

Ontem então, eu tinha uma cardiotocografia logo após o almoço, onde deu tudo certinho... A Milena está com os batimentos dentro da normalidade e tive uma contração durante o exame. Ou seja, tudo ótimo.
Saindo do exame, fui direto para a consulta.
Cheguei e já fui atendida. Ainda perdendo o tampão (sou anormal, fico 4 semanas perdendo o tampão.... sério, nunca vi disso), e com 5 cm de dilatação. No momento do toque a minha querida médica fez o descolamento de membranas..... E me avisou só depois que terminou o “ato”. Doeu. Muito. Fisicamente falando, e vendo a luva cheia de sangue e pensar que ela poderia ter me questionado a respeito e que obviamente eu diria não, doeu ainda mais.
Me senti invadida, violada... Uma dor inexplicável.
Mas OK, era para agilizar as coisas... para ver se teríamos mais progresso. OK? Tabom, OK. Mas mesmo assim me senti péssima.

Depois disso, comentei com ela a questão da indução, da possibilidade. Ela disse que poderíamos tentar na sexta, dia 07/06, as 8h, eu internaria e faríamos a indução.
Pesquisei depois o assunto, e vi que a indução gera um alto índice de cesárea, mas nos casos em que há pouca dilatação. No meu caso, com 5cm (a meio caminho andado), seria algo mais simples e rápido.

Desde o inicio da gravidez, pretendia fazer o parto sem analgesia e sem episio (a do Dudu foi com, e não achei legal a recuperação...). A minha médica disse que havendo necessidade ela fará sim (arrependimento de não ter buscado um medico a favor do parto humanizado), mas que sabe da minha vontade e avaliará a situação na hora.
Também não queria saber da ocitocina, onde no do Dudu, cheguei no hospital com 6 de dilatação e aplicaram a dita cuja... estourou a bolsa e implorei por analgesia. Nesse parto, eu gostaria que as coisas andassem por si só. Ocitocina aumenta a dor das contrações.... Ou seja, tudo será meio (MUITO) diferente do que eu gostaria.

Provavelmente será sim com ocitocina ( parto induzido, certo?!) e só Deus sabe se darei conta da fazê-lo sem a analgesia.
Só Deus sabe de muita coisa. E a gente (EU) precisa aprender isso....

OK, voltando... depois que saí do consultório, com um nó na garganta, fui liberar a guia de internação, e entrei no carro para ir pra casa, passei a chorar. Inconsolável e incontrolavelmente.
Um sentimento de culpa, de derrota, de trapaça, tomou conta de mim. Em estar ‘indo contra a natureza’. De não estar respeitando a vontade da Milena em querer vir ao mundo quando ela bem entender, de estar desrespeitando-a. Um sentimento muito triste, e ao mesmo tempo, consegui me dar conta o tamanho do amor que já tenho por ela.

Sempre achei muito taxativo falar em amar um ser que sequer conhecemos. Amamos, claro, mas nada surreal, e acho que o laço se completa mesmo ao conhecermos, no momento pele a pele mesmo, no dia a dia. Tanto que me considerava um monstro na gravidez do Dudu pois não me sentia a gravida mais paz e amor do mundo... e amor de verdade mesmo, senti no momento do parto, no primeiro olhar, no primeiro toque.
No entanto, ontem eu senti esse amor indescritível.... uma vontade de proteger, de respeitar, de amparar e defender de tudo e todos, e ao mesmo tempo a dor em ter que optar pelo mais sensato, em também poupar o Marido, meu outro amor. Uma decisão difícil e dolorida...

Cheguei em casa aos prantos e conversando com o Marido, ele me alertou de uma coisa: já desrespeitamos a vontade dela... Se deixássemos só a natureza se encarregar das coisas, ela teria nascido de 33 para 34 semanas. Agora é um pouco diferente, pois ela está prontinha, e não corre risco nenhum.
Foram as palavras que me acalmaram. Sendo bem racional, a verdade é essa. Intervimos na vontade dela, claro, tentando preserva-la, afinal, sendo prematura ela corria N riscos.

É difícil julgar e definir o que é melhor para nós mesmos. Isso só me faz ter uma certeza ainda maior: não devemos julgar as decisões dos outros, pois só nós mesmos sabemos os motivos que nos levam a tomar certas decisões.
Se alguém opta por fazer cesárea pelo motivo A ou B, você que é defensora ferrenha do parto normal, humanizado ou afins, não julgue... ninguém está no lugar do outro para saber o que é melhor para si. E independente das nossas escolhas, o fazemos achando que é o melhor, ou a melhor alternativa. (ou vice-versa... tem quem julgue a cesárea a melhor opção... opinião: cada um com a sua...)
Eu, Fernanda, no mundo perfeito, optaria por um parto humanizado, com zero intervenções e tudo lindo e perfeito... Mas é algo totalmente fora da MINHA realidade, por N motivos. Optei por um parto normal, que EU acredito ser o melhor para mim e para a bebê. Se por algum motivo, acontecer algum imprevisto, também não vou me opor à cesárea...

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Para Milena:

Filha... sei que pedi muito para que você esperasse mais algumas semanas antes de vir ao mundo... Era perigoso e arriscado você chegar naquele período, como já te expliquei.
Você já cresceu, está mais forte e resistente... Conforme conversamos, que pode vir assim que se sentir preparada.
Papai está dodói, e sentindo muitas dores, e quer muito conhecer você antes de fazer uma cirurgia... poder te pegar no colo e aproveitar seus primeiros dias em casa. Com isso, talvez você chegue um pouco antes do que você estava prevendo... Até sexta-feira iremos nos olhar pela primeira vez. Já sinto seu corpinho serelepe em mim, e você já conhece meu calor e minha voz, mas iremos nos olhar... nos sentir, nos cheirar... coisas que você ainda não conhece mas que será mágico e emocionante. Irá mamar pela primeira vez e sentir um gostinho especial, diferente do sabor do liquido que fica à sua volta. Irá também conhecer seu irmãozinho, que está ansioso pela sua chegada.
Vai conhecer seu Papai, aquela voz que te deixa toda saltitante da barriga da Mamãe, e sentir o toque dele.

Todos te amamos muito, e queremos que sua chegada seja o mais tranquila possível.
Venha Milena, estamos te esperando!!!!



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Beijos já mais aliviados,

Fer